Caraúbas
“Da Caraubeira para o futuro”
Baltazar Nogueira, membro da família Nogueira, fundadora do
município de Apodi, foi quem primeiro estabeleceu uma fazenda às margens da
Lagoa do Apanha-peixe, área habitada pelos índios da tribo Poti. Baltazar Nogueira
fez uma casa forte para se defender dos Prováveis ataques dos índios, mas não
adiantou muito. Durante uma viagem que fez ao estado de Pernambuco, os índios
invadiram a fazenda, saquearam e incendiaram a casa.
Mais tarde, o português Francisco de Souza Falcão, verdadeiro
fundador do povoado, saiu de Pernambuco com sua família e dois sobrinhos e
fundou uma fazenda em Cachoeira, utilizando a sesmaria comprada a Félix da
Cruz. Pouco depois da chegada da família pernambucana, a filha de Souza Falcão,
a jovem Ana, casou-se com seu primo Leandro Bezerra da Cunha Cavalcanti. Depois
do casamento, no ano de 1780, Leandro instituiu uma fazenda no Riacho das
Caraúbas.
Nessa época, a história conta que a região foi assolada por
uma implacável seca, ameaçando exterminar o gado e deixar a povoação totalmente
sem água. Preocupado com o agravamento da situação e com a estiagem prolongada,
Leandro da Cunha, que era devoto de São Sebastião, prometeu construir uma
capela para o Santo se surgisse água farta para sua fazenda. Após a promessa,
Leandro cavou um poço junto ao riacho e a água jorrou em abundância em suas
terras e nunca mais secou. A partir daquele momento, o poço da fé, o poço da
água, passou a ser chamado de Poço de São Sebastião. Leandro da Cunha cumpriu também
a sua parte na promessa, construiu a Capela de São Sebastião, ensejando o
surgimento de romarias e atraindo muitos fieis ao local do milagre.
A fazenda de Leandro situava-se nas proximidades do riacho,
bem perto de um bosque de caraubeiras, árvore nativa da região. Depois da
capela construída, vaqueiros e populares que se dirigiam ao local, diziam
naturalmente que estavam indo para as Caraúbas, já que a fazenda de Leandro
ainda não tinha nome. Com o nome de batismo dado pelo próprio povo, tanto o
povoamento, como a cidade, e mais tarde o município passaram a ter o definitivo
nome de Caraúbas.
Caraúbas tornou-se município em 5 de março de 1868, pela Lei
n° 601, sancionada pelo então Presidente da Província, Gustavo Adolfo de Sá,
desmembrando-se de Apodi e, ao mesmo tempo, absorvendo o território de Campo
Grande, que foi suprimido pela mesma Lei.
Localizado na região do Médio Oeste, o município está a 296
quilômetros de distância da capital, na altitude de 144 metros, contando com
uma área de 1.095 quilômetros quadrados de extensão territorial, onde residem
17.747 habitantes, sendo 11.541 moradores do setor urbano, e 6.206 da zona
rural. Caraúbas limita-se com os municípios de Felipe Guerra, Governador
Dix-Sept Rosado, Umarizal, Olho D’água dos Borges, Patú, Janduís, Upanema,
Campo Grande e Apodi.
A economia local conta com o reforço da rica extração de
petróleo e gás natural, além da produção de mel de abelha, da avicultura,
pecuária, e agricultura. Seu artesanato é voltado para a confecção de produtos
da palha da carnaubeira e utilização do barro na fabricação de panelas,
moringas e jarras. O município conta ainda com o Açude Apanha Peixe, que tem
capacidade para 10 milhões de metros cúbicos d’água.
A fonte das aguas térmicas Olho D’água do milho, distante 5
quilômetros do centro da cidade, onde existem banheiras com varias
temperaturas, e o hotel Olho D’água do
Milho, representam atração turística diferenciada. Trata-se de uma estrutura, à
disposição do visitante, voltada para a Saúde Termal já que conta com fonte de
água límpida, com propriedades propicias à cura de doenças de pele, entre
outros componentes. Soma-se a esse grande chamariz turístico as gravuras e
pinturas pré-históricas que existem em diversas fazendas do município. Já o
ecoturismo pode ser feito nos pequeno lagos de água transparente e em passeios
ecológicos nos açudes do Apanha Peixe e Santo Antônio. A principal festa da
Cidade é a do padroeiro, São Sebastião, que é comemorada no dia 20 de janeiro e
arrasta-se por uma semana.
(Fonte: Terras Potiguares/ Marcus César Cavalcanti de Morais)



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