Caiçara do norte
“A descida das Piracemas”
O Sargento-Mor Bento Gomes da Rocha foi o primeiro proprietário
da região de salinas, chamada Caiçara. Em março de 1734, seu filho, o capitão Inácio
Gomes da Câmara tomou posse de três léguas de terras, que começavam na área chamada
de Três Irmãos e estendiam-se até Água Maré, alastrando-se pelo sertão. A palavra
caiçara significa na língua indígena, o semelhante a curral de gado.
O povoamento de Caiçara foi crescendo e, já na metade do século
XVIII, começou a dar sinais de desenvolvimento com a presença de algumas
fazendas de criação de gado, além de varias plantações, salinas, e atividades
pesqueiras. Desde seus primeiros momentos de povoamento, Caiçara tem exercido
grande poder de atração sobre os pescadores. Essa atração é mais intensa na época
da descida das piracemas, com o deslocamento dos cardumes de peixes pelas aguas
da praia, fazendo com que muitos dos pescadores improvisem seus alojamentos em
barracas de palha e aproveitem o momento de fartura para a pesca.
No ano de 1844, o missionário Frei João da Purificação,
comandou a construção da Capela de Santo Antão Abade. As pedras usadas na
construção da capela vieram da Ponta da Santa Cruz e a imagem, de acordo com os
mais antigos, pode ter vindo da Itália ou ter sido encontrada numa embarcação
naufragada.
Em 1847, Caiçara foi elevada à condição de distrito de
Touros, ganhando no ano seguinte sua primeira escola. O distrito tinha uma extensa
rua, construída em sentido paralelo à chamada pancada do mar, ladeada de
estaleiros improvisados, que serviam para salgar e secar o pescado.
A normalidade da vida em Caiçara foi interrompida, no ano de
1912,quando a localidade sofreu a invasão das areias das dunas, ficando
praticamente soterrada. Com a Capela de santo Antão Abade sendo atingida palas
areias, a imagem do santo foi transferida, sob a coordenação do Padre João
Clemente, para um prédio na localidade de São Bento.
Mas, apesar de todas as dificuldades provocadas pelo avanço
das dunas, Caiçara manteve-se viva. E logo voltou a crescer ganhando uma nova
escola em maio de 1925. Posteriormente, tornou-se distrito de São Bento do
Norte e continuou prosperando através de sua principal atividade econômica: a
pesca do peixe-voador.
No dia 16 de julho de 1993, através da Lei numero 6.451,
sancionada pelo então Governador do Estado, engenheiro José Agripino Maia, a
famosa Caiçara Velha desmembrou-se de São Bento do Norte, tornando-se o novo município
de caiçara do Norte.
Localizado no litoral norte do Estado, na Região do Mato
Grande, o município de Caiçara do Norte está a 143 quilômetros de distancia da
capital, tendo uma área territorial de 295,2 quilômetros quadrados de extensão,
onde reside uma população de 5.898 habitantes, sendo 5.573 na zona urbana e 325
no setor rural. Caiçara do Norte limita-se com Jandaíra, São Bento do Norte,
Galinhos, Parazinho, e o Oceano Atlântico.
A sustentação da base econômica do município se dá pela
intensa pesca em barcos, com destaque para a pesca do voador. Soma-se a isso, a
produção agrícola com a Castanha de Caju, a Pecuária, e a Carcinicultura. Seu artesanato
consiste na confecção de artigos para a pescaria e o trabalho com palha de carnaúba
e sisal.
No aspecto turístico destaca-se a beleza da Praia de
Caiçara. A grande festa da cidade é a do padroeiro, São Pedro, no dia 29 de
junho, encerrando as comemorações dos festejos juninos.
(Fonte: Terras Potiguares/ Marcus César Cavalcanti de
Morais)


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