Bento Fernandes
“O Delegado da História”
O Riacho Barreto, que sai da Serra da Formiga, no município
de São Tomé, e chega a Taipú, deu seu nome ao povoado que estava nascendo.
Barreto é nome que homenageia antigo posseiro e desbravador da área. Ainda hoje,
o Riacho Barreto serve à população através do abastecimento d'água para o
plantio.
A localidade de Barreto começou a ser povoado no inicio do
século XIX. Foi nessa época que surgiram, em 1804, referências históricas da
posse de terras no Tabuleiro de Barreto, ribeiro do Ceará-Mirim, por parte de
Antônio Cavalcanti Bezerra. Mas, apenas em 04 de novembro de 1822, os senhores
Luís Gomes da Silva, Caetano da Silva Sanches e Gaspar Rebouças receberam as
sesmarias do Riacho do Barreto.
Caetano da Silva era também filho e homônimo do Capitão-mor
da Capitania do Rio Grande do Norte, líder popular identificado com Natal que,
no ano de 1763 ajudou a construir a torre da Igreja de Santo Antônio, na
capital, e doou o galo de bronze que existe até hoje.
Na história de Barreto destacou-se ainda Carlos Augusto
Carrilho de Vasconcelos, nascido em 1849, senhor do Engenho Carnaubal, em
Ceará-Mirim, responsável pela construção da Capela de São Sebastiao e pelo
surgimento da atividade agrícola.
Um nome, entretanto, marcou definitivamente a história de
Barreto. Trata-se do pai de dezoito filhos que, nos idos de 1870, trabalhava
para sustentar sua família, como agricultor nas campinas próxima ao riacho.
Nascido em 1848, Bento Fernandes de Macedo, conquistou a simpatia de todos por
sua dedicação, solidariedade e honestidade. Bento Fernandes, agricultor desde
cedo, chegou a condição de Delegado de Policia da Localidade e, em maio de
1925, na luta para acabar com um tumulto gerado nas festividades religiosas por
um grupo de desconhecidos, foi assassinado. Sua morte repercutiu fortemente na
comunidade e fora dela. Ainda hoje, quem vai ao município pode ver o local onde
Bento Fernandes morreu, bem em frente à Capelinha do Sagrado Coração de Jesus
que hoje simboliza o principal patrimônio histórico do município.
Em 31 de dezembro de 1958, através da Lei número 2.353,
sancionada pelo então Governador do Estado, Dinarte de Medeiros Mariz, Barreto
passou a ser município, tendo sido desmembrado de Taipú. Depois disso, começou
a surgir um desejo popular de mudar o nome da localidade e de homenagear o
delegado que entrou na história. No dia 16 de outubro de 1967, o então
Governador do Estado, Monsenhor Walfredo Gurgel, sancionou a lei número 3.506,
que oficializou a nova denominação da localidade: Bento Fernandes.
O município de Bento Fernandes está na localizado na Região
do Mato Grande, a 88 quilômetros de distancia da capital, na altitude de 111
metros, com uma área de 301 quilômetros quadrados de extensão, onde vivem 4.891
habitantes, sendo 2.113 na zona urbana e 2.778 no setor rural. Bento Fernandes
limita-se com João Câmara, Riachuelo, Poço Branco, Santa Maria, Ielmo Marinho,
Jardim de Angicos, Januário Cicco e Caiçara do Rio do Vento. A economia local é
voltada para a agricultura e pecuária. O abastecimento d'água da cidade é feito
pela Adutora João Câmara. O munícipio conta ainda com as aguas do Açude Barreto
que tem capacidade para 1.418.000 metros cúbicos d’água.
Entre os aspectos históricos e turísticos, Bento Fernandes
conta com a Gruta das Serras de Inhandu- famosa pela lenda do aparecimento em
seu interior de imagem de Nossa Senhora de Lourdes; o Açude Barreto- que levou
doze anos para ser construído e divide a cidade em duas partes; a Serra da Cruz
- onde está fincada uma cruz no chamado Serrote Pelado; e a Capela do Sagrado
Coração de Jesus – construída em 1917.
Nas manifestações culturais e populares o município tem a
forte presença do Folclore com a animação do Boi de Reis e do Pastoril.
A tradicional festa da padroeira, Nossa Senhora Aparecida,
acontece no dia 12 de outubro, e reúne os fiéis de varias partes da região.
(Fonte: Terras Potiguares/ Marcus César Cavalcanti de
Morais)
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