17 de maio de 2013

Terras Potiguares: Bento Fernandes



Bento Fernandes

“O Delegado da História”

O Riacho Barreto, que sai da Serra da Formiga, no município de São Tomé, e chega a Taipú, deu seu nome ao povoado que estava nascendo. Barreto é nome que homenageia antigo posseiro e desbravador da área. Ainda hoje, o Riacho Barreto serve à população através do abastecimento d'água para o plantio.
A localidade de Barreto começou a ser povoado no inicio do século XIX. Foi nessa época que surgiram, em 1804, referências históricas da posse de terras no Tabuleiro de Barreto, ribeiro do Ceará-Mirim, por parte de Antônio Cavalcanti Bezerra. Mas, apenas em 04 de novembro de 1822, os senhores Luís Gomes da Silva, Caetano da Silva Sanches e Gaspar Rebouças receberam as sesmarias do Riacho do Barreto.
Caetano da Silva era também filho e homônimo do Capitão-mor da Capitania do Rio Grande do Norte, líder popular identificado com Natal que, no ano de 1763 ajudou a construir a torre da Igreja de Santo Antônio, na capital, e doou o galo de bronze que existe até hoje.
Na história de Barreto destacou-se ainda Carlos Augusto Carrilho de Vasconcelos, nascido em 1849, senhor do Engenho Carnaubal, em Ceará-Mirim, responsável pela construção da Capela de São Sebastiao e pelo surgimento da atividade agrícola.
Um nome, entretanto, marcou definitivamente a história de Barreto. Trata-se do pai de dezoito filhos que, nos idos de 1870, trabalhava para sustentar sua família, como agricultor nas campinas próxima ao riacho. Nascido em 1848, Bento Fernandes de Macedo, conquistou a simpatia de todos por sua dedicação, solidariedade e honestidade. Bento Fernandes, agricultor desde cedo, chegou a condição de Delegado de Policia da Localidade e, em maio de 1925, na luta para acabar com um tumulto gerado nas festividades religiosas por um grupo de desconhecidos, foi assassinado. Sua morte repercutiu fortemente na comunidade e fora dela. Ainda hoje, quem vai ao município pode ver o local onde Bento Fernandes morreu, bem em frente à Capelinha do Sagrado Coração de Jesus que hoje simboliza o principal patrimônio histórico do município.
Em 31 de dezembro de 1958, através da Lei número 2.353, sancionada pelo então Governador do Estado, Dinarte de Medeiros Mariz, Barreto passou a ser município, tendo sido desmembrado de Taipú. Depois disso, começou a surgir um desejo popular de mudar o nome da localidade e de homenagear o delegado que entrou na história. No dia 16 de outubro de 1967, o então Governador do Estado, Monsenhor Walfredo Gurgel, sancionou a lei número 3.506, que oficializou a nova denominação da localidade: Bento Fernandes.
O município de Bento Fernandes está na localizado na Região do Mato Grande, a 88 quilômetros de distancia da capital, na altitude de 111 metros, com uma área de 301 quilômetros quadrados de extensão, onde vivem 4.891 habitantes, sendo 2.113 na zona urbana e 2.778 no setor rural. Bento Fernandes limita-se com João Câmara, Riachuelo, Poço Branco, Santa Maria, Ielmo Marinho, Jardim de Angicos, Januário Cicco e Caiçara do Rio do Vento. A economia local é voltada para a agricultura e pecuária. O abastecimento d'água da cidade é feito pela Adutora João Câmara. O munícipio conta ainda com as aguas do Açude Barreto que tem capacidade para 1.418.000 metros cúbicos d’água.
Entre os aspectos históricos e turísticos, Bento Fernandes conta com a Gruta das Serras de Inhandu- famosa pela lenda do aparecimento em seu interior de imagem de Nossa Senhora de Lourdes; o Açude Barreto- que levou doze anos para ser construído e divide a cidade em duas partes; a Serra da Cruz - onde está fincada uma cruz no chamado Serrote Pelado; e a Capela do Sagrado Coração de Jesus – construída em 1917.
Nas manifestações culturais e populares o município tem a forte presença do Folclore com a animação do Boi de Reis e do Pastoril.
A tradicional festa da padroeira, Nossa Senhora Aparecida, acontece no dia 12 de outubro, e reúne os fiéis de varias partes da região.
(Fonte: Terras Potiguares/ Marcus César Cavalcanti de Morais)










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