Currais Novos
“Os novos Currais de Seu Cipriano”
A presença
do homem branco na área aconteceu em março de 1688, quando o Governador Geral
do Brasil mandou uma expedição à região com a finalidade de reprimir a revolta
dos índios Canindés e janduis, primeiros habitantes da região, iniciada no ano
anterior, que o Governo da Capitania do Rio Grande do Norte não conseguiu
debelar. A expedição, comandada pelo paulista Governador de Armas Domingos
Jorge Velho, atravessou o sertão do Acauã e alcançou a localidade onde nasceu a
povoação de Currais Novos.
No livro
Nomes da Terra, o historiador Câmara Cascudo afirma que, no ano de 1687, Afonso
de Albuquerque Maranhão tinha conseguido derrotar e fazer prisioneiro o chefe
dos Canindés. Com o final dos combates, já no século XVIII, muitos combatentes,
capitães e soldados, passaram a serem lavradores, em sua maioria sem possuírem
terras.
Apenas em
1755 o povoamento começou a dar sinais de desenvolvimento com a presença do
Coronel Cipriano Lopes Galvão, que fundou uma fazenda de gado na Data Totoró.
Como pioneiro da localidade, Cipriano Lopes também exerceu indireta influência
histórica na escolha do nome do povoado, quando construiu novos currais nas
proximidades da confluência dos Rios Totoró e Maxinaré, iniciando os trabalhos
de outra fazenda para seu filho Sebastião Galvão. Tempos depois, a designação
da localidade passou naturalmente a ser Currais Novos.
Com o
falecimento do Coronel Cipriano Lopes, a viúva, dona Adriana de Holanda de
Vasconcelos Galvão, requereu, em 1764, novas concessões de terra, e seu filho
Cipriano Galvão, então Capitão-Mor da ribeira do Seridó e proprietário dos
Sítios Areia de Baixo e São Bento, requereu e recebeu, em 1787, terras próximas
à área pertencente a sua mãe. No ano de 1808, foi construída a capela em honra
a Nossa Senhora Santana. Começo da atual cidade.
O povoado de
Currais Novos participou ativamente da Campanha abolicionista, com a ação
efetiva de um dos núcleos da Sociedade Libertadora Norte-rio-grandense, tendo à
frente Cipriano Lopes Galvão de Vasconcelos e Joventino da Silveira Borges. A
luta abolicionista, que durou vários anos e contou com a participação de
muitos, deu resultados: Currais Novos libertou seu último escravo no dia 19 de
março de 1888, antes da promulgação da Lei Áurea.
A Lei
Provincial n° 893, de 20 de fevereiro de 1884, criou o distrito de Currais
Novos. Em 15 de outubro de 1890, seis anos depois, através do Decreto n° 59,
que foi assinado pelo então Governador Provisório, o Dr. Pedro Velho de
Albuquerque Maranhão, Currais Novos desmembrou-se de Acari, e passou a ser
município do Rio Grande do Norte, sendo instalado em 6 de fevereiro de 1891. O
novo município elevou-se à categoria de cidade pela Lei n° 486 de 29 de
novembro de 1920, já sendo sede de comarca desde 27 de novembro de 1919.
Grandes reservas
de sheelita, minério valioso, foram descobertas na década de 1940, produzindo
uma exploração em larga escala e iniciando o processo de imigração de
garimpeiros e comerciantes. Nesse período, destacou-se a figura histórica de
Tomaz Salustino que, com seu espirito empreendedor, contribuiu ativamente para
o progresso de Currais Novos. Com o advento da Sheelita a cidade cresceu, sua
economia ampliou-se, e a população aumentou substancialmente devido à chegada
de pessoas que buscavam trabalho e negócios.
O município
de Currais Novos está encravado na Região do Seridó, a 172 quilômetros de
distancia da Capital, na altitude de 341 metros acima do nível do mar, contando
com uma área de 864 quilômetros quadrados, onde vivem 41.208 pessoas, sendo
35.840 na zona urbana e 5.368 no setor rural. Currais Novos limita-se com Lagoa
Nova, Cerro Corá, Acari, Campo Redondo, São Tomé, São Vicente, e o estado da
Paraíba.
A economia
local é baseada na avicultura; agricultura; produção de mel de abelha; produção
de leite de gado; extração de rochas ornamentais, sheelita, tungstênio e
feldspato. O município conta ainda com incidências minerais de Quartzo,
Moscovita, Tântalo, Nióbio, Enxofre, Calcário, Berilo, Fluorita e Ouro.
O artesanato
apresenta trabalhos manuais com pedras extraídas do próprio município;
confecções de jarros ornamentais e filtros de barro; tapetes de palha; peças de
madeira; bordado à mão; ponto de cruz; macromê de renda e ponto paris; e
fabricação de doces e geleias. O abastecimento d’água da cidade é feito através
da Adutora de Currais Novos, com captação no Açude Gargalheiras de Acari. Os
principais açudes do município são: Dourado, Currais Novos, Gangorra, Barrado
Catunda, Mulungu, Malhada de Dentro, Totoró, e Olho D’água dos Brandão, que
juntos somam capacidade reservatória para 30 milhões de metros cúbicos d’água.
Entre esses, destaca-se o açude Dourado com capacidade superior a dez milhões
de metros cúbicos.
O turismo
cultural tem a seu dispor as inscrições rupestres na Lagoa do Santo; os tuneis
subterrâneos e históricos das minas de Sheelita, Brejuí e Barra Verde; fazendas
históricas do ciclo do gado; Museu da Mina Brejuí; e Igreja Matriz de Sant’ana.
Já o ecoturismo conta a Pedra do Caju; Região Rochosa; a Pedra do Sino; Reserva
Florestal de São Rafael; Pedra do Navio; Sítio Arqueológico Lagoa do Santo; e
Pico do Totoró.
Na área
cultural, Currais Novos conta ainda com emissoras de rádio e uma estação de
televisão a cabo. O folclore currais-novense ainda mostra força com
manifestações de Araruna e Pastoril.
As
festividades mais importantes do município são: Carnaxelita; Festa Junina;
Forronovos; e a festa da padroeira, Nossa Senhora Sant´Ana, que ocorre no dia
26 de julho.
(Fonte:
Terras Potiguares/ Marcus César Cavalcanti de Morais).

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