13 de junho de 2013

Terras Potiguares: Caicó



Caicó

“O Poço de Santana não seca”

A terra fértil, de mato ralo, rica em pastagens e aguadas, e também adequada para a criação de gado, tinha como habitantes, nos idos de 1700, os ferozes índios Caicós. Nessa época, batedores paraibanos chegaram à região, dispostos a expulsarem os índios que viviam na área próxima a junção entre os rios Barra Nova e Seridó, e estabeleceram uma caçada sem tréguas.
Depois de sangrentos combates, os índios Caicós foram expulsos, deixando a área aberta para a chegada de aventureiros e famílias de plantadores. Começaram, então, a surgir pequenos núcleos comunitários voltados inteiramente para a pecuária.
A noticia da descoberta de uma região boa para a criação de gado passou a atrair gente de outros estados, como paraibanos, pernambucos e ate portugueses, na tentativa de colocarem seus rebanhos nas novas terras. Entre os antigos povoadores destacavam-se o tenente José Gomes Pereira, Manoel de Souza Fortes, e o capitão Inácio Gomes da Câmara. Em 15 de abril de 1748, a povoação chamada de Seridó, que pertencia à freguesia de Piancó, Estado da Paraíba, passou a ser sede de distrito administrativo e, também, freguesia.
No registro da freguesia, o nome Caicó aparece ao lado do nome Seridó. Isso é o que esta escrito no livro Tombo da Catedral da Cidade. Mas, antes dessa referencia, já havia menção ao nome Caicó na concessão de sesmaria ao capitão Inácio Gomes da câmara, em 7 de setembro de 1736.
O município foi criado, com o nome de Vila Nova do Príncipe, através da determinação de Ordem Régia de 22 de julho do mesmo ano. A Vila do príncipe foi uma das oito primeiras Vilas fundadas no Rio Grande do Norte durante o período do Brasil Colonial, sendo considerada uma das células da formação municipalista do Estado.
Recebeu foros de cidade no dia 16 de dezembro de 1868, por meio da lei Provincial n° 612, e através do Decreto Estadual n° 12, de 1° de fevereiro de 1890, passou a se chamar Seridó. O nome Caicó chegou oficialmente em 7 de julho de 1890, através do Decreto Estadual n° 33.
Caicó é nome derivado da tribo indígena, descendente da família dos Cariris, que habitava a região. A palavra Caicó significa, segundo alguns historiadores, macaco esfolado. Mas, o significado mais levado em consideração foi dado por Lemos Barbosa, em seu livro Dicionário da língua Tupi_Guarani, onde afirma que a palavra Caicó significa mato ralo.
Entre as muitas estórias disseminadas na região destaca-se a crença que os índios Caicós tinham em seu deus, Tupã, que vivia nas proximidades encarnado num touro Selvagem, morando num mofumbal, situado no local onde se encontra a cidade de Caicó. Devido a presença do deus touro os índios se julgavam invencíveis. A tribo foi exterminada, mas o mofumbal permaneceu intacto e um vaqueiro desavisado que se aventurou pelo local foi repentinamente atacado pelo grande touro. O vaqueiro que seria, segundo a estória, esmagado pelo animal, apelou para a fé em Nossa Senhora de Santana, prometendo fazer uma capela em sua homenagem se conseguisse escapar daquele perigo. Foi então que, numa fração de segundos, o touro sumiu. Agradecido, o vaqueiro destruiu a mata existente e começou a construção da capela.
A crença do vaqueiro foi aumentando e também sendo posta à prova. A seca veio forte e ameaçava estancar a única aguada existente que era um poço situado no rio Seridó. O Vaqueiro, então, pede a Nossa Senhora de Santana outra ação milagrosa: que o poço não seque até que a capela seja concluída. O resultado disso é que o poço continuou jorrando agua, não secou durante a construção, nunca secou, e passou a ser conhecido como Poço de Santana. São as estórias de Caicó, estórias de fé, estórias do povo.
Um fato histórico relembrado por muitos foi a chamada Insurreição de Quebraquilos feita, por pessoas que protestavam contra a vigência de novas medidas e pesos do sistema decimal, durante dois sábados de feira, dias 5 e 12 de dezembro de 1874.
A coragem de Caicó esteve presente em importantes momentos da nação. Quando o Coronel de Milicia, Joaquim Pinto Madeira, decidiu se apossarem do Governo da Paraíba através de um golpe militar nos idos de 1831, muitos caicoenses foram voluntários para combater os rebeldes, em defesa da legalidade, sob o comando do Coronel José Teixeira. Quando a Guerra do Paraguai representava ameaça à soberania da nação, os caicoenses se apresentaram como voluntários para o combate, Tendo a frente Manoel de Araújo e José Bernardo. Não chegaram a combater, é bem verdade, já que foram dispensados no Rio de Janeiro, mas não fugiram à luta.
Quando a revolução comunista, em 1935, tentou dominar o interior usando a ameaça e a força, os caicoenses novamente partiram para a luta. Sob o comando de Dinarte de Medeiros Mariz, Eduardo Gurgel de Araújo, e do Monsenhor Walfredo Gurgel, os voluntários paisanos de Caicó enfrentaram os adversários na Serra do Doutor, numa histórica emboscada estratégica, garantindo vitória total.
É de Caicó um dos mais importantes juristas brasileiros, Amaro Cavalcanti, nascido na Fazenda Logradouro do Barro, que hoje faz parte do município de Jardim de Piranhas. Amaro Cavalcanti teve suas primeiras lições de Latim e de vida no município de Caicó, indo posteriormente para o Ceará, aonde chegou a ser professor de Latim. Continuou os estudos e formou-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela Union University of Albany. O grande Jurista assumiu cargos importantes, destacando-se o de Ministro da Justiça e Negócios Interiores no governo de Prudente de Morais; Ministro do Supremo Tribunal Federal; prefeito do antigo Distrito Federal do Rio de Janeiro durante o governo Wenceslau Braz; Ministro da fazenda no segundo governo Rodrigues Alves; Inspetor Geral de Ensino Plenipotenciário no Paraguai; deputado federal; senador; Delegado do Brasil à III Conferência Panamericana de Washington. Amaro Cavalcanti. Falecido em 1948, fez ainda o Regulamento de Assistência Jurídica e deixou um grande numero de livros publicados em vários idiomas.
Localizado na região Seridó, o município de Caicó está a 256 quilômetros de distancia da capital, contando com uma área 1.229 quilômetros quadrados de extensão, e uma população de 61.704 habitantes, dos quais 54.127 moram na zona urbana, e 7.577 vivem no setor rural. Caicó limita-se com Jucurutu, Florânia, São Fernando, São João do Sabugi, São José do Seridó, Jardim do Seridó, Timbaúba dos Batistas, Ouro Branco, e o estado da Paraíba.
O município conta com uma economia baseada na agricultura, Pecuária, e na extração de minérios. Devido a seus muitos rebanhos bovinos, Caicó destaca-se na produção e comercialização dos derivados do leite de gado. Na produção vegetal merece menção a castanha de caju e a oiticica. Já na extração mineral aparece a shellita, o berilo, talco, tungstênio, argila, brita granítica, ouro, e a pedra calcaria. O abastecimento d'água da cidade é feito através da Adutora Piranhas/ Caicó. Seu maior reservatório d'água é o Açude Itans com capacidade para mais de 81 milhões de metros cúbicos d'água.
O artesanato se distingue nacionalmente pelos bordados feitos à mão e as rendas de bilro. São destacados também: os trabalhos manuais em couro; as peças de argila; e objetos de cerâmica. Na culinária, transcende a fronteira do Estado, a fama de sua carne de sol, seu queijo, a manteiga do sertão, e os doces e biscoitos caseiros.
As riquezas naturais são espalhadas por todas as partes, favorecendo o eco-turismo. Um exemplo é a Serra da Formiga, rica em minério de ferro, é um marco do município, tendo varias denominações locais-Cananuá, Inês, Queimada, Caridade, e Velha. No sopé da Serra da Caridade encontra-se a Gruta da Caridade com suas câmaras e salas separadas por pilares e paredões de estalagmites, com fontes e represas de agua. Também se destacam as serras de Lajinhas, Amarela Rajada, São Bernardo, um dos pontos mais altos do Estado, com 636 metros de altura; o Serrote Branco; Gruta do Galo; as pinturas rupestres; e a reserva ecológica Estoecel de Brito.
O Turismo Cultural pode levar o visitante ao Castelo de Engady, construído em estilo mouro-medieval e localizado entre cactos e rochas, com aguas que jorram das pedras, possuindo 7 torres e uma grande Estrela de Davi feita de ferro cravada acima de sua porta principal. O Castelo de Engandy está sobre uma rocha e nele há pátios, terraços, guaritas, ponte, escadas, poços, fortificações, salas, dormitórios, capela, muralhas e portões. Seu mobiliário é composto de arcas, antigos armários, baús, oratório, camas rústicas, pilões, tripeças, peças de engenho e de casas de farinha. Sua decoração é composta por quadros clássicos, emblemas, estandarte, espadas, lanças, carrancas, correntões, objetos de boiadeiros peças publicas.
A viagem continua no Arco do Triunfo, situado na Praça Monsenhor Walfredo Gurgel, em frente à Catedral de Santana, que representa uma homenagem à passagem da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima pela cidade, em 22 de novembro de 1953. A obra, um arco sobre duas colunas, feito em alvenaria, medindo 9 metros de largura por 15 de altura, foi idealizada por Dom José Avelino Dantas, segundo bispo da cidade, e inaugurada em 15 de agosto de 1958. Ainda se destacam a Catedral de Santana; o Mercado Público; a Casa de Pedra; o Sobrado do Padre Guerra; Museu do Seridó; e Largo de Santana.
Caicó tem duas importantes festas populares e religiosas. Em outubro a cidade comemora o dia de Nossa Senhora do Rosário, protetora dos negros, e ao ritmo de batucada e de muita dança ocorre à coroação do rei negro e da rainha negra. No primeiro domingo após o dia 26 de julho, o município se volta para a grande festa da padroeira, Sant’Ana, precedida de uma semana inteira de festividades, em que se destaca o tradicional Baile dos Coroas, evento que reúne a sociedade de várias partes do Estado. Na festa de Sant’Ana, onde ainda ocorrem vários eventos sagrados e profanos, acontece a grande procissão de Sant’Ana, a procissão do Sertão, uma das maiores da região Nordeste. Também são lembrados, como eventos populares, as festas juninas, o carnaval, e o Caicó Folia.
(Fonte: Terras Potiguares/ Marcus César Cavalcanti de Morais)









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