Caicó
“O Poço de Santana não seca”
A terra fértil, de mato ralo, rica em pastagens e aguadas, e
também adequada para a criação de gado, tinha como habitantes, nos idos de
1700, os ferozes índios Caicós. Nessa época, batedores paraibanos chegaram à
região, dispostos a expulsarem os índios que viviam na área próxima a junção
entre os rios Barra Nova e Seridó, e estabeleceram uma caçada sem tréguas.
Depois de sangrentos combates, os índios Caicós foram
expulsos, deixando a área aberta para a chegada de aventureiros e famílias de
plantadores. Começaram, então, a surgir pequenos núcleos comunitários voltados
inteiramente para a pecuária.
A noticia da descoberta de uma região boa para a criação de
gado passou a atrair gente de outros estados, como paraibanos, pernambucos e
ate portugueses, na tentativa de colocarem seus rebanhos nas novas terras.
Entre os antigos povoadores destacavam-se o tenente José Gomes Pereira, Manoel
de Souza Fortes, e o capitão Inácio Gomes da Câmara. Em 15 de abril de 1748, a
povoação chamada de Seridó, que pertencia à freguesia de Piancó, Estado da
Paraíba, passou a ser sede de distrito administrativo e, também, freguesia.
No registro da freguesia, o nome Caicó aparece ao lado do
nome Seridó. Isso é o que esta escrito no livro Tombo da Catedral da Cidade.
Mas, antes dessa referencia, já havia menção ao nome Caicó na concessão de
sesmaria ao capitão Inácio Gomes da câmara, em 7 de setembro de 1736.
O município foi criado, com o nome de Vila Nova do Príncipe,
através da determinação de Ordem Régia de 22 de julho do mesmo ano. A Vila do
príncipe foi uma das oito primeiras Vilas fundadas no Rio Grande do Norte
durante o período do Brasil Colonial, sendo considerada uma das células da
formação municipalista do Estado.
Recebeu foros de cidade no dia 16 de dezembro de 1868, por
meio da lei Provincial n° 612, e através do Decreto Estadual n° 12, de 1° de
fevereiro de 1890, passou a se chamar Seridó. O nome Caicó chegou oficialmente
em 7 de julho de 1890, através do Decreto Estadual n° 33.
Caicó é nome derivado da tribo indígena, descendente da
família dos Cariris, que habitava a região. A palavra Caicó significa, segundo
alguns historiadores, macaco esfolado. Mas, o significado mais levado em consideração
foi dado por Lemos Barbosa, em seu livro Dicionário da língua Tupi_Guarani,
onde afirma que a palavra Caicó significa mato ralo.
Entre as muitas estórias disseminadas na região destaca-se a
crença que os índios Caicós tinham em seu deus, Tupã, que vivia nas
proximidades encarnado num touro Selvagem, morando num mofumbal, situado no
local onde se encontra a cidade de Caicó. Devido a presença do deus touro os
índios se julgavam invencíveis. A tribo foi exterminada, mas o mofumbal
permaneceu intacto e um vaqueiro desavisado que se aventurou pelo local foi
repentinamente atacado pelo grande touro. O vaqueiro que seria, segundo a
estória, esmagado pelo animal, apelou para a fé em Nossa Senhora de Santana,
prometendo fazer uma capela em sua homenagem se conseguisse escapar daquele
perigo. Foi então que, numa fração de segundos, o touro sumiu. Agradecido, o
vaqueiro destruiu a mata existente e começou a construção da capela.
A crença do vaqueiro foi aumentando e também sendo posta à
prova. A seca veio forte e ameaçava estancar a única aguada existente que era um
poço situado no rio Seridó. O Vaqueiro, então, pede a Nossa Senhora de Santana
outra ação milagrosa: que o poço não seque até que a capela seja concluída. O
resultado disso é que o poço continuou jorrando agua, não secou durante a
construção, nunca secou, e passou a ser conhecido como Poço de Santana. São as
estórias de Caicó, estórias de fé, estórias do povo.
Um fato histórico relembrado por muitos foi a chamada
Insurreição de Quebraquilos feita, por pessoas que protestavam contra a
vigência de novas medidas e pesos do sistema decimal, durante dois sábados de
feira, dias 5 e 12 de dezembro de 1874.
A coragem de Caicó esteve presente em importantes momentos
da nação. Quando o Coronel de Milicia, Joaquim Pinto Madeira, decidiu se apossarem
do Governo da Paraíba através de um golpe militar nos idos de 1831, muitos
caicoenses foram voluntários para combater os rebeldes, em defesa da
legalidade, sob o comando do Coronel José Teixeira. Quando a Guerra do Paraguai
representava ameaça à soberania da nação, os caicoenses se apresentaram como
voluntários para o combate, Tendo a frente Manoel de Araújo e José Bernardo.
Não chegaram a combater, é bem verdade, já que foram dispensados no Rio de
Janeiro, mas não fugiram à luta.
Quando a revolução comunista, em 1935, tentou dominar o
interior usando a ameaça e a força, os caicoenses novamente partiram para a
luta. Sob o comando de Dinarte de Medeiros Mariz, Eduardo Gurgel de Araújo, e
do Monsenhor Walfredo Gurgel, os voluntários paisanos de Caicó enfrentaram os
adversários na Serra do Doutor, numa histórica emboscada estratégica,
garantindo vitória total.
É de Caicó um dos mais importantes juristas brasileiros,
Amaro Cavalcanti, nascido na Fazenda Logradouro do Barro, que hoje faz parte do
município de Jardim de Piranhas. Amaro Cavalcanti teve suas primeiras lições de
Latim e de vida no município de Caicó, indo posteriormente para o Ceará, aonde
chegou a ser professor de Latim. Continuou os estudos e formou-se em Ciências
Jurídicas e Sociais pela Union University of Albany. O grande Jurista assumiu
cargos importantes, destacando-se o de Ministro da Justiça e Negócios Interiores
no governo de Prudente de Morais; Ministro do Supremo Tribunal Federal;
prefeito do antigo Distrito Federal do Rio de Janeiro durante o governo Wenceslau
Braz; Ministro da fazenda no segundo governo Rodrigues Alves; Inspetor Geral de
Ensino Plenipotenciário no Paraguai; deputado federal; senador; Delegado do
Brasil à III Conferência Panamericana de Washington. Amaro Cavalcanti. Falecido
em 1948, fez ainda o Regulamento de Assistência Jurídica e deixou um grande numero
de livros publicados em vários idiomas.
Localizado na região Seridó, o município de Caicó está a 256
quilômetros de distancia da capital, contando com uma área 1.229 quilômetros
quadrados de extensão, e uma população de 61.704 habitantes, dos quais 54.127
moram na zona urbana, e 7.577 vivem no setor rural. Caicó limita-se com
Jucurutu, Florânia, São Fernando, São João do Sabugi, São José do Seridó, Jardim
do Seridó, Timbaúba dos Batistas, Ouro Branco, e o estado da Paraíba.
O município conta com uma economia baseada na agricultura,
Pecuária, e na extração de minérios. Devido a seus muitos rebanhos bovinos,
Caicó destaca-se na produção e comercialização dos derivados do leite de gado.
Na produção vegetal merece menção a castanha de caju e a oiticica. Já na
extração mineral aparece a shellita, o berilo, talco, tungstênio, argila, brita
granítica, ouro, e a pedra calcaria. O abastecimento d'água da cidade é feito
através da Adutora Piranhas/ Caicó. Seu maior reservatório d'água é o Açude
Itans com capacidade para mais de 81 milhões de metros cúbicos d'água.
O artesanato se distingue nacionalmente pelos bordados
feitos à mão e as rendas de bilro. São destacados também: os trabalhos manuais
em couro; as peças de argila; e objetos de cerâmica. Na culinária, transcende a
fronteira do Estado, a fama de sua carne de sol, seu queijo, a manteiga do
sertão, e os doces e biscoitos caseiros.
As riquezas naturais são espalhadas por todas as partes,
favorecendo o eco-turismo. Um exemplo é a Serra da Formiga, rica em minério de
ferro, é um marco do município, tendo varias denominações locais-Cananuá, Inês,
Queimada, Caridade, e Velha. No sopé da Serra da Caridade encontra-se a Gruta
da Caridade com suas câmaras e salas separadas por pilares e paredões de
estalagmites, com fontes e represas de agua. Também se destacam as serras de
Lajinhas, Amarela Rajada, São Bernardo, um dos pontos mais altos do Estado, com
636 metros de altura; o Serrote Branco; Gruta do Galo; as pinturas rupestres; e
a reserva ecológica Estoecel de Brito.
O Turismo Cultural pode levar o visitante ao Castelo de
Engady, construído em estilo mouro-medieval e localizado entre cactos e rochas,
com aguas que jorram das pedras, possuindo 7 torres e uma grande Estrela de
Davi feita de ferro cravada acima de sua porta principal. O Castelo de Engandy
está sobre uma rocha e nele há pátios, terraços, guaritas, ponte, escadas,
poços, fortificações, salas, dormitórios, capela, muralhas e portões. Seu
mobiliário é composto de arcas, antigos armários, baús, oratório, camas
rústicas, pilões, tripeças, peças de engenho e de casas de farinha. Sua
decoração é composta por quadros clássicos, emblemas, estandarte, espadas,
lanças, carrancas, correntões, objetos de boiadeiros peças publicas.
A viagem continua no Arco do Triunfo, situado na Praça
Monsenhor Walfredo Gurgel, em frente à Catedral de Santana, que representa uma
homenagem à passagem da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima pela
cidade, em 22 de novembro de 1953. A obra, um arco sobre duas colunas, feito em
alvenaria, medindo 9 metros de largura por 15 de altura, foi idealizada por Dom
José Avelino Dantas, segundo bispo da cidade, e inaugurada em 15 de agosto de
1958. Ainda se destacam a Catedral de Santana; o Mercado Público; a Casa de
Pedra; o Sobrado do Padre Guerra; Museu do Seridó; e Largo de Santana.
Caicó tem duas importantes festas populares e religiosas. Em
outubro a cidade comemora o dia de Nossa Senhora do Rosário, protetora dos
negros, e ao ritmo de batucada e de muita dança ocorre à coroação do rei negro
e da rainha negra. No primeiro domingo após o dia 26 de julho, o município se
volta para a grande festa da padroeira, Sant’Ana, precedida de uma semana
inteira de festividades, em que se destaca o tradicional Baile dos Coroas,
evento que reúne a sociedade de várias partes do Estado. Na festa de Sant’Ana,
onde ainda ocorrem vários eventos sagrados e profanos, acontece a grande
procissão de Sant’Ana, a procissão do Sertão, uma das maiores da região
Nordeste. Também são lembrados, como eventos populares, as festas juninas, o
carnaval, e o Caicó Folia.
(Fonte: Terras Potiguares/ Marcus César Cavalcanti de Morais)


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